Sergio Diniz da Costa descreve uma emocionante viagem no tempo pelas memórias, cores e aromas de sua meninice

Cansado de ser gente grande (que peso!)
decidi virar menino (que alívio!)
Entrei na máquina do tempo, que tem
na minha cabeça, vesti meu calção surrado
desentoquei a camisa pra lá de velha
e fui parar no quintal da infância
Ainda estavam lá a velha mangueira de manga rosa,
os pé de couve, árvores das formiga que
subiam e desciam, indo e vindo do murundum,
o tanque de lavar roupa cheinho de água,
lago onde meus indiozinhos nadavam.
Entrei no porão, ainda rezando pra não encontrá
a Manjaléu*, pavorenta que só ela queria ser
e também rezando pra encontrá os gibi que lá escondia,
feito tesouro que as traça analfabeta não comiam.
Triiiiiimmmmmmmmm!
Ih! O despertador da imaginação soou!
É hora de dar no pé, porque o jardim tá se indo
E o menino tem que voltá pra ser gente grande!
Manjaléu: Bicho-papão ou monstro: Um ser imaginário, frequentemente usado no folclore para assustar ou amedrontar crianças. É também o nome de uma famosa lenda da cultura popular brasileira, recolhida por Sílvio Romero, sobre um monstro invulnerável.
Poema da antologia Manoel de Barros – O Poeta das Miudezas, coorganizado por Verônica Moreira e Sergio Diniz da Costa, 2026
Sergio Diniz da Costa
- Meu quintal de infância - 22 de outubro de 2026
- Gabriela Franco lança ‘Vozes do Coração’ - 20 de outubro de 2026
- Minuto Indiscreto - 19 de outubro de 2026
Natural de Sorocaba (SP), é escritor, poeta e Editor-Chefe do Jornal Cultural ROL. Acadêmico Benemérito e Efetivo da FEBACLA; membro fundador da Academia de Letras de São Pedro da Aldeia – ALSPA; Acadêmico Imortal Fundador da Académie Léon-Gontran Damas des Lettres et Arts de la Guyane française; Fundador Imortal del Núcleo de Artes, Ciências e Letras de Assunção|Paraguai e membro da Academia dos Intelectuais e Escritores do Brasil – AIEB. Autor de 8 livros. Jurado de concursos literários. Recebeu, dentre vários titulos: pelo Supremo Consistório Internacional dos Embaixadores da Paz, Embaixador da Paz e Medalha Guardião da Paz e da Justiça; pela Real Ordem dos Cavaleiros Sarmathianos, Benfeitor das Ciências, Letras e Artes; pela FEBACLA: as Comendas: Baluarte da Literatura Nacional; Láurea Acadêmica Qualidade Ouro; Chanceler da Cultura Nacional e Ativista da Cultura Nacional ; pelo Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos, Benemérito Pesquisador em Artes e Literatura e Dr. h. c. mult.; Pela Academia de Letras de São Pedro da Aldeia, o Título Honra Acadêmica, pela categoria Cultura Nacional e Belas Artes; Grão-Mestre das Artes; Mestre dos Saberes Luso-Brasileiro; pela Academia dos Intelectuais e Escritores do Brasil – AIEB, Grandes Escritores do Brasil.



Em Meu quintal de infância, Sergio Diniz da Costa nos presenteia com um bilhete de primeira classe para a máquina do tempo mais poderosa que existe: a nossa própria mente. Com uma sensibilidade tocante, o poeta despe-se da armadura pesada da vida adulta — com suas cobranças e despertadores reais — para vestir o calção surrado da inocência. O quintal aqui não é apenas um espaço físico, mas um santuário de liberdade onde pés de couve convivem com o temível Manjaléu e gibis antigos viram tesouros intocados pelo tempo. Uma obra prima nostálgica que nos lembra que, embora o despertador da realidade insista em soar, o menino que fomos jamais deixa de habitar em nós.