A força de uma chuva que não quer apenas molhar as ruas, mas purificar a própria essência humana


É primavera
Rua molhada, céu cinzento.
Chuva que pinga, pinga, pinga sem ter fim.
Quisera lavar a sujeira que predomina no coração do homem.
Quisera lavar seus lábios, corpo e alma.
Quisera lavar seus ossos,
E deixá-los à correnteza da chuva.
Chuva que pinga, pinga, pinga sem ter fim.
Chuva que pinga, pinga, pinga sem ter fim.
Lina Veira
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Lina Veira, como é mais conhecida na área literária Maria Andrelina Oliveira Bento, natural de Fortaleza (CE), é formada em Engenharia Sanitária e Ambiental, escritora, cronista, contista e romancista. Tem projetos literários no Instagram, como Sábado com Poesia, saraus on-line e presenciais, feiras de livros, lançamentos e divulgação de autores na sua região. É autora dos livros ‘Um de meus Olhares’, Editora Motres, que explora questões profundamente humanas e deixa a utilidade da motivação e desapego, influenciando homens e mulheres e ‘Outras Flores se Abrem’, pela mesma editora, um livro altamente feminino, que deixa uma proposta calma e consciente do reinventar-se, e marca sua trajetória na escrita, deixando suas crônicas e versos como instrumento de liberdade. É coautora em algumas revistas e coletâneas literárias.


O poema de Lina Veira subverte a tradicional alegria associada à primavera ao usar a repetição melancólica da chuva como uma metáfora de purificação existencial e moral. Através de um eu lírico cético, a obra justapõe a crueza da carne e dos ossos à urgência de lavar a corrupção espiritual que habita o coração da humanidade.