Eliana Hoenhe Pereira traduz em versos a emoção, a melancolia e o legado imortal deixados no Anexo Secreto em Amsterdã


Eliana Hoenhe Pereira
A atração, que até então
só fez parte da minha imaginação
à qual nutri profunda identificação.
Foi ali, no Anexo Secreto,
que derramei todas as lágrimas de afeto
carregadas de sussurros contidos.
O lugar serviu de esconderijo
á Anne com sua família judia
durante a ocupação nazista.
A jovem idealista
sonhava em ser jornalista
e fez do diário seu maior aliado.
No período em que ficou em confinamento,
registrou seus pensamentos e
sentimentos.
O espaço visitado
tinha cheiro de nostalgia, melancolia
e de sonhos não realizados.
No entanto, deixou seu legado
para ser lembrado ou pausado.
Nunca abandonado,
esquecido ou perdido.
Simplesmente ali.
Eliana Hoenhe Pereira
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Natural de Nilópolis (RJ), reside em Cruzeiro/SP. Pós-graduada em Psicopedagogia, Terapia familiar. Trabalhou como psicóloga do CEMTE (Centro Educacional Municipal Terapêutico Especializado) Madre Cecília de Taubaté. Atuou como Psicóloga, coordenadora do núcleo ‘Autismo’ e, nesse universo, participou de vários cursos e congressos. Responsável técnica da clínica ‘Performance’; Escritora, poetisa e contista da ALAC (Academia de Letras e Artes de Cruzeiro). Autora dos livros: O peixinho X Editora Scortecci, 1989); Flora por que comigo? e Em paz com o passado. Projeto: Escritoras Revisionistas, representantes do Vale do Paraíba e região nos eventos literários. Tendo participado da Feira de São Bento do Sapucaí, Passa Quatro, Cruzeiro, Cachoeira Paulista e Resende. Defende a Causa no Combate à Violência contra a Mulher. É vice-presidente do CMM (Conselho Municipal dos Direitos da Mulher) Cruzeiro – SP.


O poema de Eliana Hoenhe Pereira destaca-se pela crueza e pelo respeito histórico transformado em arte:
1. A Quebra da Quarta Parede da Imaginação: A poeta começa revelando que o lugar habitava sua mente antes da visita física. Esse choque entre a “identificação nutrida à distância e a realidade do Anexo Secreto gera uma catarse expressa nas “lágrimas de afeto”.
2. A Conexão com o Ofício: Ao destacar que a “jovem idealista sonhava em ser jornalista”, Eliana cria uma ponte íntima e dolorosa com todos nós que escrevemos. O diário, visto como “maior aliado”, reforça o poder da palavra escrita como resistência ao confinamento e à barbárie.
3. A Sinestesia do Espaço: A estrofe que menciona o “cheiro de nostalgia, melancolia e de sonhos não realizados” é de um impacto sensorial imenso. Ela consegue materializar a atmosfera pesada, mas poeticamente viva, que qualquer visitante sente ao cruzar aquela porta. O desfecho é cirúrgico: o legado pode ser ‘pausado’, mas ‘nunca abandonado’.