Evani Rocha faz um retrato poético e melancólico sobre o vazio, a ausência e os rastros indeléveis que a saudade deixa na memória


Quando a alma vai embora
Fica a saudade,
Pichada nos muros das lembranças,
Tatuada na pele encrespada,
Fica como um perfume na memória…
Quando a alma vai embora,
Ficam os botões das flores no jardim,
O colorido dos vitrais,
As pegadas marcando o caminho.
Fica, sempre fica a saudade…
Dos sorrisos bobos e das conversas vãs,
Da cumplicidade disfarçada,
As alianças procurando as mãos.
Quando a alma vai embora,
Fica também
Um corpo sem história,
Sem hora,
Nem compromisso…
O belo já não faz sentido.
Não há mais horizonte,
Nem aurora…
Quando a alma vai embora.
Evani Rocha
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Evani Rocha, natural de Chapada dos Guimarães (MT) é bióloga e professora da rede pública há 25 anos, com pós-graduação em Educação, especializada em Literatura Brasileira. Na área literária é poetisa, escritora e autora dos livros: Retalhinhos (Poesia, 2020) e Folhas de Outono (Contos, lançado na Bienal/Rio 2023). Na área acadêmica, é Acadêmica Internacional da FEBACLA – Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes, da qual recebeu o título Embaixadora Cultural da Paz. Apaixonada pelas artes, em especial a pintura e a escrita, Evani Identifica-se como uma pessoa ligada umbilicalmente à natureza, onde passou boa parte de sua infância. As artes e a natureza são sua fonte de inspiração, motivo pelo qual sua pintura e escrita têm uma voz que ecoa, quase sempre, desse lugar-comum.


O poema “Quando a alma vai embora”, da escritora Evani Rocha, é profundamente tocante. 🌹
A saudade aparece como algo que permanece gravado em tudo: nos muros das lembranças, na pele, nos perfumes da memória, nas flores e nas pegadas deixadas pelo caminho.
Há uma oposição muito bonita entre aquilo que permanece — as lembranças, os gestos e os vestígios do amor — e aquilo que se esvazia com a partida.