Sergio Diniz da Costa resgata memórias da infância e reflete sobre o bullying, a intolerância e o burilamento da alma pela vida

Introvertido, introspectivo, fantasioso, contemplativo, afetivo, empático, lírico. Sete adjetivos que descrevem um menino amante dos animais e da natureza, que sonhava brincar nas nuvens, feitas de algodão, e viajar pelas estrelas, nas noites invernais de céu limpo. Um menino-poeta! Um menino que chorava a dor do próximo tanto quanto ria o riso alheio. Uma imagem, a princípio, que transpira sentimentos nobres e felicidade.
Contudo, não era assim que o menino Sergio se sentia, pois era tido por outros meninos e alguns adultos como ‘estranho’. E, não bastasse isso, por ser espírita, sofria bullying. Era chamado de ‘macumbeiro’ e, para alguns católicos e evangélicos, o destino dos espíritas era o Inferno.
No antigo Primário, havia aula de religião, e eu era o único aluno a sair da classe, uma vez que os demais eram católicos e evangélicos. Na primeira vez que saí, os coleguinhas perguntaram à professora por que eu precisava deixar a sala. Eu tinha apenas oito anos de idade, mas senti, pela maneira como ela respondeu, que também havia preconceito em relação ao espiritismo.
Como não poderia deixar de ser, se nas ruas era visto com reservas, a escola representou mais uma das estações da minha via crucis, a ponto de, cumprida a educação básica, minha vontade ear nunca mais sentar num banco escolar.
As estradas da vida, contudo, nos levam por caminhos inimagináveis. Em algum momento, nos deparamos com uma espécie de ‘portal’, a nos conduzir para outra dimensão da vida. Diante dessa passagem, o menino-poeta, agora adulto, percebeu que o sofrimento íntimo não é castigo divino, mas lição, burilamento da alma.
O ser humano é semelhante ao mármore bruto, e a vida é o martelo e o cinzel. Ao contrário, porém, do mármore que, feito matéria, é impotente diante dos golpes do cinzel, o ser humano tem o poder de receber esses golpes não como feridas na alma, mas como preciosas lições de aprendizagem.
Assim, dor e humilhação, transmutadas, passam a ser pilares a sustentar o ‘edifício’ do entendimento de que, na jornada terrena, tudo é efêmero quando os olhos enxergam o horizonte da eternidade!
Sergio Diniz Costa
- Um estranho no ninho - 9 de outubro de 2026
- A descoberta de Angeline: o novo livro de Fabíola Fabrícia! - 8 de outubro de 2026
- Juristocracia sob a análise de Thiago Barbosa Soares - 7 de outubro de 2026
Natural de Sorocaba (SP), é escritor, poeta e Editor-Chefe do Jornal Cultural ROL. Acadêmico Benemérito e Efetivo da FEBACLA; membro fundador da Academia de Letras de São Pedro da Aldeia – ALSPA; Acadêmico Imortal Fundador da Académie Léon-Gontran Damas des Lettres et Arts de la Guyane française; Fundador Imortal del Núcleo de Artes, Ciências e Letras de Assunção|Paraguai e membro da Academia dos Intelectuais e Escritores do Brasil – AIEB. Autor de 8 livros. Jurado de concursos literários. Recebeu, dentre vários titulos: pelo Supremo Consistório Internacional dos Embaixadores da Paz, Embaixador da Paz e Medalha Guardião da Paz e da Justiça; pela Real Ordem dos Cavaleiros Sarmathianos, Benfeitor das Ciências, Letras e Artes; pela FEBACLA: as Comendas: Baluarte da Literatura Nacional; Láurea Acadêmica Qualidade Ouro; Chanceler da Cultura Nacional e Ativista da Cultura Nacional ; pelo Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos, Benemérito Pesquisador em Artes e Literatura e Dr. h. c. mult.; Pela Academia de Letras de São Pedro da Aldeia, o Título Honra Acadêmica, pela categoria Cultura Nacional e Belas Artes; Grão-Mestre das Artes; Mestre dos Saberes Luso-Brasileiro; pela Academia dos Intelectuais e Escritores do Brasil – AIEB, Grandes Escritores do Brasil.


