Vanessa Leite coordena projeto que une instituições em Mauá e incentiva crianças e adolescentes à leitura, com oficinas de Josemir Lemos e Eidi
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O Festival Literário no Recanto da Tia Célia, realizado em parceria entre a Associação Casa do Senhor – Projeto de Leitura A Certeza de um Mundo Melhor, o Recanto da Tia Célia e a Academia de Letras do Brasil – Seccional de Santo André, aproximou crianças e adolescentes da leitura e da escrita em Mauá. Coordenado pela professora e escritora Vanessa Leite, o projeto encerrou suas atividades em 31 de outubro de 2026, com teatro, música, declamações, concurso de poesias e entrega do livro produzido pelos participantes.
As oficinas aconteceram no Recanto da Tia Célia, no Jardim Ipê, dentro da proposta “Biblioteca Espelho, Espelho Meu – Histórias que me Representam”. Ao longo dos encontros, os assistidos tiveram contato com escritores e experimentaram diferentes etapas da criação literária, da primeira ideia à produção de um livro.
O nome do projeto expressa uma questão essencial: reconhecer-se nas histórias e descobrir que também é possível escrevê-las. Para uma criança, encontrar espaço para apresentar uma personagem, compartilhar um poema ou contar algo que imaginou pode ser o começo de uma relação mais confiante com a própria voz.
Vanessa Leite na coordenação do Festival Literário
À frente de todo o projeto, Vanessa Leite articulou o trabalho desenvolvido com os acadêmicos e as instituições parceiras. Sua atuação merece especial reconhecimento pela responsabilidade de conduzir uma iniciativa que reuniu diferentes contribuições em torno de um propósito comum: incentivar a leitura e oferecer às crianças e aos adolescentes oportunidades de criação.
Coordenar esse percurso significou cuidar da continuidade dos encontros e da ligação entre as atividades. Cada oficina integrou uma proposta maior, na qual os participantes puderam conhecer o trabalho dos escritores e experimentar suas próprias possibilidades como autores.
Vanessa também conduziu “A hora da história” e “O Balde da imaginação”, atividades que abriram espaço para ouvir, imaginar e criar. Ao lado de Eidi Silva, desenvolveu ainda “Poesia em Gotinhas: cuidar, incluir e transformar”, aproximando a expressão poética de temas ligados à convivência e ao respeito.
Esse trabalho encontra seu sentido na atenção dedicada ao que os participantes têm a dizer. Antes de uma história ocupar as páginas de um livro, há uma ideia que precisa de espaço para crescer e alguém que precisa de confiança para compartilhá-la.
Oficinas aproximam os participantes da criação literária
A programação reuniu escrita criativa, poesia, contação de histórias e produção artesanal de livros. Débora Eliza conduziu a oficina de escrita criativa, enquanto os escritores da ALB – Seccional de Santo André participaram de um encontro e bate-papo com as crianças e os adolescentes, aproximando suas experiências do universo dos jovens leitores.
A contadora de histórias Paula Knoll esteve à frente de “A magia do meu primeiro livro”, e Eidi Silva conduziu “Poesia em Movimento”.
As contribuições de Josemir Lemos, com a oficina de contação de histórias, e de Maria Bernardo, responsável por “Meu primeiro livro artesanal”, completaram esse percurso de descobertas. A palavra pôde ser experimentada na escrita, na voz e nas páginas construídas pelos próprios participantes.
O contato com os oficineiros deu à proposta uma dimensão de encontro. Conhecer quem escreve, conversar sobre histórias e acompanhar a construção de um livro ajuda a tornar mais próxima uma possibilidade que pode parecer distante: transformar uma ideia em uma criação que outras pessoas poderão conhecer.
Teatro, música e poesia marcam o encerramento
No dia 31 de outubro, os assistidos pelo Recanto da Tia Célia apresentaram peças de teatro, participaram de uma apresentação musical e realizaram declamações. O encerramento ofereceu ao público a oportunidade de conhecer suas formas de expressão e celebrar o trabalho desenvolvido durante o projeto.
Ao interpretar uma personagem ou declamar um texto, cada participante ocupou um lugar de protagonismo. Naquele encontro, a atenção se voltou para o que crianças e adolescentes haviam preparado para compartilhar, valorizando o empenho envolvido em cada apresentação.
A entrega do livro produzido pelos participantes também marcou a celebração. Ver a própria criação reunida em páginas dá uma dimensão concreta ao caminho percorrido: aquilo que começou como ideia passa a existir como obra, capaz de ser lida, guardada e apresentada a outras pessoas.
O concurso de poesias encerrou a programação, reservando aos versos o último destaque do festival. Para além da competição, a atividade reconheceu a importância de oferecer espaço à autoria e à expressão dos participantes.
Prestigiaram o encerramento os imortais Marrocos, presidente da ALB – Seccional de Mauá, e, da ALB – Seccional de Santo André, Santhiago, presidente da seccional; Márcio José Zacarias, professor e autor, conhecido pelo pseudônimo Arthur Souto; Josemir Lemos, professor e escritor; e Vanessa Leite, professora, escritora e coordenadora do projeto. A presença dos acadêmicos reforçou a aproximação entre a instituição literária e a comunidade.
Reconhecimento aos parceiros e oficineiros
À Associação Casa do Senhor, fica o reconhecimento pela doação de livros às crianças, contribuindo para que a leitura pudesse acompanhá-las para além das oficinas. Ao Recanto da Tia Célia, que recebeu os encontros e participou dessa construção, e à ALB – Seccional de Santo André, a gratidão pela parceria que tornou possível reunir literatura, educação e convivência.
À Vanessa Leite, um agradecimento especial pela coordenação de todo o projeto e pela dedicação às atividades. Reunir pessoas em torno de uma proposta exige compromisso; acompanhar essa proposta até o momento em que os participantes apresentam suas criações dá sentido ao esforço compartilhado.
À Débora Eliza, pela oficina de escrita criativa, e aos escritores da ALB, pelo encontro e bate-papo, o reconhecimento por dividirem conhecimentos e experiências. Uma conversa com quem escreve pode ajudar um jovem leitor a perceber que os livros também nascem de tentativas, escolhas e aprendizado.
À Paula Knoll, por “A magia do meu primeiro livro”, a gratidão por contribuir para uma descoberta tão significativa. Criar um livro permite olhar para as páginas e reconhecer nelas as marcas da própria imaginação.
À Eidi Silva, por “Poesia em Movimento”, e a ela e Vanessa Leite, por “Poesia em Gotinhas”, o agradecimento por reservarem lugar à sensibilidade, ao cuidado e à inclusão. Trabalhar a poesia com crianças e adolescentes também é acolher diferentes maneiras de perceber e expressar a vida.
Ao Josemir Lemos, o reconhecimento pela oficina de contação de histórias e pela experiência compartilhada. Contar envolve presença e escuta: quem narra oferece suas palavras, enquanto quem ouve encontra nelas caminhos que se cruzam com suas lembranças e curiosidades.
À Maria Bernardo, por “Meu primeiro livro artesanal”, a gratidão por ajudar a dar forma ao trabalho dos participantes. Há um significado especial em segurar um livro feito pelas próprias mãos e reconhecer, em cada página, o cuidado dedicado à sua construção.
A todos os envolvidos, fica um agradecimento que os certificados, sozinhos, não conseguem expressar. Cada encontro exigiu tempo, preparo e disposição para escutar, orientar e acompanhar as tentativas dos participantes. Foi dessa dedicação compartilhada que o festival ganhou vida.
Que os livros continuem sendo abertos e que outras histórias nasçam dessa experiência. Sobretudo, que cada criança e adolescente leve consigo a lembrança de ter encontrado pessoas dispostas a escutar. Nos dias em que a insegurança surgir diante de uma página em branco, que essa lembrança lhes devolva a coragem: suas palavras têm valor, sua história merece ser contada, e ainda há muito por escrever.
Márcio José Zacarias
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Natural de Tupã (SP), conhecido no meio literário como Arthur Souto, construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a educação, a arte e a palavra como instrumento de transformação social. É graduado em Pedagogia, Letras, Artes, Educação Física e História, além de especializações em Alfabetização e Letramento, Neuropsicopedagogia, Matemática, Educação Inclusiva e Produção Textual. Atuou na Educação Infantil, no Ensino Superior e, atualmente, é professor efetivo do Ensino Fundamental I Como escritor, é autor de diversas obras que transitam entre a literatura infantil, a poesia e o romance, com destaque para Pé de Menina, A Fada do Pix — vencedora do Prêmio Ecos da Literatura 2024 como melhor livro original —, O Tumbeiro — eleito Melhor Romance de 2024 pelo Prêmio Book Brasil e finalista do Prêmio Pluma de Ouro—, Minha vida em versos e flores, Tonha, a Barraqueira. Seu trabalho literário e educacional já lhe rendeu homenagens pela Câmara de Vereadores das cidades de Tupã e Sorocaba. É membro da Academia Independente de Letras e da NAISLA – Núcleo Accademia Italiano di Scienze, Lettere e Arti, além de colaborar como escritor da Revista Adupé. Márcio José Zacarias acredita na palavra como ponte entre saberes, emoções e realidades.

