Versos profundos e melancólicos sobre a beleza dolorosa do amor perfeito vivido em uma vida equivocada

A ti
que caminhaste distante
sempre a um rio de minha mão, num instante,
a uma vida de mim.
A ti
que ainda estás em minhas ausências,
que ainda vives de inclemências,
que ainda pregas a liberdade.
A ti
que agora bailas sobre o esquecimento,
apertando forte o fio do momento
com uma mão que hoje sangra.
A ti
que sempre foste o indicado
de um tempo arrependido,
de uma história sem sentido,
num tempo que não avança.
A ti
que amei talvez demais,
sempre foste o amor perfeito
numa vida equivocada.
A ti
onde o amor foi profundo e sincero,
onde o brilho cegou qualquer reflexo,
onde nasceste para ser eterno,
ainda que seja pelo meu momento.
Adriana Rodríguez
- A pessoa certa – Poema de Adriana Rodríguez - 30 de outubro de 2026
- O que sabe de mim - 21 de outubro de 2026
- 5 de setembro - 8 de setembro de 2026
Natural de Heroica Matamoros, México, é escritora e criadora literária. Sua obra transita entre a poesia e o conto, explorando emoções humanas, memória, vulnerabilidade e o claro-escuro da experiência cotidiana. Participou de eventos de poesia presenciais e virtuais, além de contribuir para programas e publicações em diversas revistas digitais. Seus trabalhos foram incluídos em inúmeras antologias e projetos editoriais independentes. Entre seus títulos publicados estão as coletâneas de contos ‘Pesadelos: Crônicas dos Sonhos e Hábitos das 6 da Manhã’, bem como as coletâneas de poesia ‘Desaparecida’ e ‘Fragmentos’. Atualmente, continua a desenvolver projetos literários focados na exploração íntima da linguagem e das sensibilidades contemporâneas.



O poema de Adriana Rodríguez toca em uma das feridas mais universais da experiência humana: o desencontro cronológico do afeto. Com uma lírica minimalista e tocante, a colunista constrói a imagem do ‘amor perfeito na vida equivocada’, nos lembrando que a intensidade de um sentimento não depende de sua duração ou do seu final feliz.
Ao transformar a ausência em eternidade, Adriana oferece um consolo poético para todos aqueles que guardam, no silêncio da alma, a memória de alguém que foi a pessoa certa, mas no tempo errado.
Uma leitura belíssima e necessária.