novembro 04, 2026
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Que dia começaremos a nos tornar neuróticos

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O ritmo do mundo moderno está a adoecer a nossa mente, e a culpa pode ser das nossas próprias escolhas

Lina Veira
Lina Veira
 Imagem a preto e branco de plano aproximado (close-up) de uma pessoa com a mão no rosto, de olhos fechados com expressão de reflexão ou preocupação. No centro, sobreposta em letras maiúsculas brancas, lê-se a frase: "REAJA! Que dia começamos a nos tornar neuróticos?". Na parte inferior, encontra-se a identificação "@linaveira".
Imagem do Canvas com texto por Lina Veira

Que dia começamos a nos tornar neuróticos, eu pensei.

Olha ao seu redor como as pessoas estão doentes. No seu olhar…. comportamentos, atitudes com o outro… Não precisa ser médico para perceber, basta ter sensibilidade.

Sim, pois o ser neurótico não chega de repente como uma barata voadora e pousa na gente. Começamos a nos tornar neuróticos aos poucos, com nossa permissão e hábitos. E não vem com a desculpa de trabalho, da família, da escola, do casamento, da cultura, do país, do governo, disso e daquilo. Nós somos frutos das escolhas que fazemos! Dos pensamentos e palavras que verbalizamos.

Somos nós a cultura de nossa vida! E é preciso ter uma autorresponsabilidade de tudo a nossa volta.

Em algum momento fomos crianças tranquilas e inocentes. Tínhamos paz e felicidade sem estarmos envolvidos com tanta tecnologia suicida que nos consome e adoece. Mas ao longo dos anos estamos optando por perder isso. É mais fácil clicar, não levantar, não fazer… excluir, não conversar… viver sozinho.

Bem-vindo ao laboratório humanoide! Não tenho dúvida que a ciência tenha acelerado esse processo maquinário e neurótico. E olha que não estamos no topo do mundo em tecnologias,  o Brasil é o país  com grande número de pessoas com transtornos mentais. Isso é preocupante para nossos filhos e futuro social.

Com o avanço da ciência, passamos a organizar um novo comportamento e olhar – mas perdemos a sensibilidade embora percebendo que somos mais frágeis e instáveis que as máquinas. E sem sensibilidade geramos um desconforto desconhecido de querer entender tudo ou não querer entender nada, de nos aproximar da perfeição a qualquer custo, ou ignorar fatos.

Nenhuma máquina vai substituir uma acolhida, uma palavra de conforto, um encontro e sorriso nas horas angustiantes de sua vida. Nenhuma máquina vai lhe dar o abraço que suaviza toda dor. Preencher o vazio do seu coração, ou lhe fazer sorrir quando tudo parecer desabar a sua frente. E sabem por quê? Porque nenhuma máquina ou tecnologia até agora foi programada para o AMOR ou descobriu a melhor aplicação do verbo amar. Somos nós, os únicos e exclusivos prontos para isso – para o outro, para escolher amar!

Pense. Reaja. Melhores seus resultados.

Lina Veira

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One thought on “Que dia começaremos a nos tornar neuróticos”

  1. Com uma prosa crônica e urgente, Lina Veira costura uma crítica perspicaz à desumanização contemporânea provocada pelo isolamento tecnológico e pela perda da sensibilidade social. Ao equilibrar o peso da autorresponsabilidade com o lirismo do afeto, a autora resgata o amor humano como o único antídoto possível contra o automatismo existencial moderno.

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