O ritmo do mundo moderno está a adoecer a nossa mente, e a culpa pode ser das nossas próprias escolhas


Que dia começamos a nos tornar neuróticos, eu pensei.
Olha ao seu redor como as pessoas estão doentes. No seu olhar…. comportamentos, atitudes com o outro… Não precisa ser médico para perceber, basta ter sensibilidade.
Sim, pois o ser neurótico não chega de repente como uma barata voadora e pousa na gente. Começamos a nos tornar neuróticos aos poucos, com nossa permissão e hábitos. E não vem com a desculpa de trabalho, da família, da escola, do casamento, da cultura, do país, do governo, disso e daquilo. Nós somos frutos das escolhas que fazemos! Dos pensamentos e palavras que verbalizamos.
Somos nós a cultura de nossa vida! E é preciso ter uma autorresponsabilidade de tudo a nossa volta.
Em algum momento fomos crianças tranquilas e inocentes. Tínhamos paz e felicidade sem estarmos envolvidos com tanta tecnologia suicida que nos consome e adoece. Mas ao longo dos anos estamos optando por perder isso. É mais fácil clicar, não levantar, não fazer… excluir, não conversar… viver sozinho.
Bem-vindo ao laboratório humanoide! Não tenho dúvida que a ciência tenha acelerado esse processo maquinário e neurótico. E olha que não estamos no topo do mundo em tecnologias, o Brasil é o país com grande número de pessoas com transtornos mentais. Isso é preocupante para nossos filhos e futuro social.
Com o avanço da ciência, passamos a organizar um novo comportamento e olhar – mas perdemos a sensibilidade embora percebendo que somos mais frágeis e instáveis que as máquinas. E sem sensibilidade geramos um desconforto desconhecido de querer entender tudo ou não querer entender nada, de nos aproximar da perfeição a qualquer custo, ou ignorar fatos.
Nenhuma máquina vai substituir uma acolhida, uma palavra de conforto, um encontro e sorriso nas horas angustiantes de sua vida. Nenhuma máquina vai lhe dar o abraço que suaviza toda dor. Preencher o vazio do seu coração, ou lhe fazer sorrir quando tudo parecer desabar a sua frente. E sabem por quê? Porque nenhuma máquina ou tecnologia até agora foi programada para o AMOR ou descobriu a melhor aplicação do verbo amar. Somos nós, os únicos e exclusivos prontos para isso – para o outro, para escolher amar!
Pense. Reaja. Melhores seus resultados.
Lina Veira
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Lina Veira, como é mais conhecida na área literária Maria Andrelina Oliveira Bento, natural de Fortaleza (CE), é formada em Engenharia Sanitária e Ambiental, escritora, cronista, contista e romancista. Tem projetos literários no Instagram, como Sábado com Poesia, saraus on-line e presenciais, feiras de livros, lançamentos e divulgação de autores na sua região. É autora dos livros ‘Um de meus Olhares’, Editora Motres, que explora questões profundamente humanas e deixa a utilidade da motivação e desapego, influenciando homens e mulheres e ‘Outras Flores se Abrem’, pela mesma editora, um livro altamente feminino, que deixa uma proposta calma e consciente do reinventar-se, e marca sua trajetória na escrita, deixando suas crônicas e versos como instrumento de liberdade. É coautora em algumas revistas e coletâneas literárias.


Com uma prosa crônica e urgente, Lina Veira costura uma crítica perspicaz à desumanização contemporânea provocada pelo isolamento tecnológico e pela perda da sensibilidade social. Ao equilibrar o peso da autorresponsabilidade com o lirismo do afeto, a autora resgata o amor humano como o único antídoto possível contra o automatismo existencial moderno.