Versos que transformam a dor da ausência em uma delicada e luminosa forma de presença

Não te foste por completo,
porque habitas no eco das coisas cotidianas:
na xícara de café que ainda evoca o teu riso,
no vento da tarde que dobra as esquinas.
A tua ausência não é vácuo,
é uma forma diferente de presença,
uma roupagem de luz com que agora vestes os meus dias.
Karen Iveth Orellana
- Nostalgia por tua viagem, por Karen Orellana - 3 de novembro de 2026
- O dinheiro e o poder – Karen Iveth Orellana - 29 de outubro de 2026
- Noites de ausência - 9 de outubro de 2026
Natural de Santa Rosa de Copán (Honduras), possui formação nas áreas administrativa, contábil e comercial, tendo atuado como secretária, administradora, profissional bancária e apresentadora de rádio. Na literatura e na cultura, consolidou-se como escritora, poeta e gestora cultural, dedicando-se à promoção das artes, da literatura e da educação. É diretora da Academia Cultural Universal Hondureña e de Bohemios Universales Literatura y Otras Artes, além de presidente executiva do Club Colectivo Cultural Vuelos de Plumas y Letras, do Marrocos, e presidente da Organização Mundial de Trovadores (OMT) em Honduras. Entre 2008 e 2023, organizou mais de 300 eventos culturais e educativos, presenciais e virtuais, incluindo recitais, conversatórios, conferências e oficinas, além de promover artistas de diferentes áreas em âmbito internacional. Sua produção literária integra diversas antologias nacionais e internacionais, entre elas Antología de la Niñez, Antología de la Mujer, Antología por la Paz e Mujeres por la Paz Mundial. Em 2022, publicou El Forjador del Siglo XX. Recebeu premiações em concursos de poesia e oratória e distinções da Organização Mundial de Trovadores. Em 2024, recebeu o Prêmio Internacional América Madre Ama, da Fundación Honoris Causa.



O poema de Karen Iveth Orellana é uma das mais belas e delicadas definições sobre a saudade que a literatura contemporânea nos oferece. Ao ressignificar a perda não como um vazio intransponível, mas como ‘uma forma diferente de presença’, a autora consegue vestir a dor com uma ‘roupagem de luz’.
É um texto que acolhe o leitor em sua melancolia, lembrando-nos de que aqueles que partiram continuam a habitar o eco dos nossos dias, eternizados no calor das pequenas coisas cotidianas.