setembro 21, 2026
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Da Palestina ao ROL, Mona Al-Assi!

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As letras de Mona Al-Assi exaltam o amor à terra, a resistência, a identidade e a memória da Palestina, a Senhora das Terras, a Mãe dos Começos e dos Fins, o Paraíso Perdido!

Mona Al-Assi

Mona Al-Assi, nascida no Campo de Yarmouk, em Damasco, e radicada em Lausanne, na Suíça, é poeta, jornalista e profissional da área de mídia palestina. Sua atuação e extensa trajetória abrangem o jornalismo cultural, a produção radiofônica, a realização de documentários e projetos artísticos multidisciplinares.

Trajetória literária

Sua poesia foi traduzida para o francês, inglês, alemão, italiano, espanhol e outros idiomas, e apresentada em festivais literários internacionais, leituras de poesia, eventos culturais e projetos artísticos na Suíça, em diversos países europeus e em outros continentes.

Entre seus livros e trabalhos literários estão Training in Barking e How to Raise a Window, coletâneas de poesia, além de Maqām al-Nāb, livro em prosa atualmente em processo de elaboração.

Entre suas antologias e publicações selecionadas estão Analectes de poésie mondiale (Antologia da Poesia Mundial), em francês, que reúne 188 poetas de diferentes partes do mundo, e Exile Named Homeland, antologia búlgara que apresenta trabalhos de 39 poetas palestinas.

Mona Al-Assi inicia sua contribuição no ROL com o impactante texto A sombra do sobrevivente: uma canção para Ahmad Manasra, poema sobre a infância roubada, violência, trauma, morte simbólica e a tentativa de sobreviver através da memória e da poesia.

A sombra do sobrevivente:
uma canção para Ahmad Manasra

Estações de sombras

vagam pelos aposentos

selando os últimos desejos

e os ossos pálidos

que tecem o meu medo.

Então sacudo as cordas da saudade—

e minha voz se abriga em minha mãe,

arrebatada pelo vento.

A estrada devora os olhos,

e na estrada

me falta a estrada —

aos treze anos, ainda um menino,

ponho tomilho no chá:

letras verdes

para uma menina

que ergue as unhas

para arranhar meu coração

e contar minhas feridas,

fissura

por fissura—

embora ela não saiba contar.

Ó Senhor, eu era bonito,

a semente da minha barba começava a florescer.

Mas a língua do vento

corrompe cada um dos meus nãos:

Eu não sei.

Eu não ouço.

Eu não falo.

Eu não faço nada.

Nããããããããão —

Não me lembro de nada além da minha mão

vindo até mim por trás de uma soleira,

trazendo um copo de chá

que canta ao tomilho,

enquanto a terra,

além da minha atenção,

continua girando.

Ó Senhor, estou morto—

então por que o tremor dos ossos

ainda me dói?

Como um abraço imenso,

as sombras sugam minha alma.

A fala seca em minha boca,

e um impulso me leva a latir

mais alto,

mais alto—

até que eu me esqueça de quem sou

e o bastão

pare de ofegar.

Torci o ferro da minha mão

por trás das minhas costelas

para bater à porta do meu corpo.

E a sombra na parede

tritura minha semente.

Leva-me, ó Ataba,

leva-me até a Mãe do Dia,

para que meu corpo se torne transparente

e os mortos

possam me ver.


Mona Al-Assi

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Sergio Diniz da Costa
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