Um retrato sensível sobre a seca, o trabalho invisível e a força do encontro entre mulheres


O reservatório de 40 toneladas do poço artesiano está a uma altura de 10 metros.
Mais de 50 pequenas torneiras sob o reservatório.
Uma mangueira está conectada a cada uma delas,
como se fosse o orçamento do Estado.
Ao redor, uma nascente com um fio de água,
e alguns recipientes para armazená-la.
Mas há também uma coisa bonita por aqui:
as mulheres encontraram um lugar para conversar.
O abastecimento de água daqueles que não conseguem pagar a conta foi cortado.
Mas a água do poço artesiano
vai para os pomares de avelãs dos funcionários públicos.
Essas mulheres trabalharam nesses pomares
para pagar suas contas de água e outras dívidas.
Nos pomares de avelãs, não havia oportunidade para conversar.
Agora elas conversam, fazem fofocas e riem.
Mas também choram por dentro.
Seus olhos são duas nascentes.
Mas, sob o reservatório de 40 toneladas,
um pé de avelã está secando de sede.
Uma das mulheres
despejou um balde de água junto à raiz daquele pé de avelã.
As outras mulheres
agora têm novos assuntos para conversar por mais um ou dois dias.
Mas seus assuntos
nunca serão os recursos que existem no subsolo.
Elas não falarão
sobre quem é o dono do petróleo que existe debaixo da terra.
Nem mesmo a água que existe sob a terra lhes pertence.
Debaixo da terra, elas têm apenas seus entes queridos mortos.
E agora até um espaço no cemitério custa dinheiro.
Essas mulheres também precisam economizar para comprar um lugar onde ser enterradas.
Mas há água demais em seus olhos
para que chorem por seus entes queridos no cemitério.
Os olhos das mulheres são como nascentes.
Os calos em suas mãos têm o tamanho de avelãs.
As gotas de suas lágrimas têm o tamanho de avelãs.
Quando enxugam as lágrimas com as mãos,
é como se estivessem regando sementes de avelã.
Como se dois mundos de avelãs estivessem se encontrando.
Afinal, os pomares de avelãs dos funcionários públicos
dobraram de tamanho neste ano.
… Sim, meu querido amigo,
quando visto do espaço,
o mundo já parece ter o tamanho de uma avelã.
Qual é o preço das avelãs neste ano?
O mundo é mais barato que uma avelã.
Bakhtiyar Hasanov
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Natural do vilarejo de Yukhari Askipara, no distrito de Gazakh, Azerbaijão. Amante das letras, escreve poesia desde os tempos de escola. Formou-se pela Universidade do Azerbaijão e trabalha como professor de História.É autor de quatro livros de poesia: The Hem of Sorrow (2003), White Darkness (2012), Tecnislər (2025) e The Nearest Star (2025). Seus poemas foram traduzidos para diversos idiomas e publicados em revistas literárias internacionais e periódicos online.


O poema de Bahtiyar Hidayet constrói uma poderosa engrenagem lírica ao contrastar a precisão fria da infraestrutura estatal com o lirismo trágico do cotidiano dessas mulheres. Com uma ironia cortante e imagens viscerais, a obra expõe a mercantilização da vida, onde até a morte custa caro e a dignidade humana vale menos que uma colheita.