Por Loide Afonso
Em uma prosa rítmica e sensorial, a autora decifra as múltiplas facetas que nos tornam humanos e iguais no final das contas

No final das contas, somos todos iguais, sim!
Somos a mistura do jingar com a melodia, o timbre no fundo do canto, a bola girando, sim.
Somos nuvem sedenta de água, que suga toda má energia na balada, somos, somos, somos, somos frutos vermelhos no meio da água fervida, vivendo coisas proibidas, sim, somos de direita, esquerda e andamos torta á direita, fumos, velas e fogueiras, queria dizer, que sim, somos tudo que vemos e temos.
Loid Portugal
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Mais conhecida no meio literário como Loid Portugal, 26, é natural de Conda, província do Cuanza Sul, Angola, e atualmente reside em Windhoek, Namíbia, onde trabalha e estuda. É bacharel em Comunicação Social, pela Universidade ISPPU. Foi radialista por cinco anos, na sua província de origem, no qual apresentava o programa Camdengues e, depois, Sons e Tons. Estreou no mundo do stand up comedy em 2022, no palco do Goza Aquí, num show de Mulheres e, no ano seguinte, participou das eliminatórias, classificando-se em segundo lugar das eliminatórias. É colaboradora como editora no portal de informação KSN. Autora de dois livros, ainda não publicados. Coautora de uma coletânea que sairá em breve.



Com uma cadência quase hipnótica, Loide Afonso nos oferece um espelho da alma coletiva em ‘Tudo’. O texto brilha ao abraçar as dualidades da experiência humana — o sagrado e o profano, a música e o movimento, a política e o misticismo.
Ao afirmar que ‘somos tudo que vemos e temos’, a autora desconstrói as divisões superficiais do cotidiano para nos lembrar de que, na nossa caótica e bela complexidade, somos fundamentalmente iguais.”