Najwa Sadi Juma:
Quando o desejo alcança a estrela, mas encontra o vazio

Uma estrela deslumbra você,
distante,
brilhando.
Você estende a mão para alcançá-la…
e, de repente,
ela repousa na sua palma.
Você lê as linhas de sua mão.
Sua luz começa a se apagar,
até transformar-se em fumaça,
escorrendo por entre seus dedos.
O céu tem uma estrela a menos.
Sua mão segura mais vazio.
Najwa Sadi Juma
- Uma estrela a menos - 25 de setembro de 2026
- The door that no longer exist - 20 de agosto de 2026
Najwa Sadi Juma, 47, natural de Gaza, Palestina, é professora, escritora, pintora, ativista e tradutora palestina. Formou-se em Literatura Inglesa antes de prosseguir seus estudos na área da educação. Trabalhou como professora durante 13 anos e foi uma das fundadoras da primeira fundação de teatro feminino na Palestina, para a qual escreveu inúmeras peças teatrais encenadas em Gaza. É membro da União Geral de Escritores Palestinos e atualmente preside o Fórum Cultural Palestino na Europa. Além de seu trabalho criativo, Najwa colaborou com uma equipe de tradução em uma coleção de 48 contos palestinos, publicada em maio de 2023 pela Inner Child Press nos Estados Unidos. Publicou três coletâneas de contos em árabe, que posteriormente traduziu para o inglês. Escreveu diversos artigos que examinam as realidades sociais e culturais das mulheres palestinas. Sua coletânea de poemas, ‘Songs of Eternity on the Hill of Slaughter – Poems from the Genocide’ (Canções da Eternidade na Colina do Massacre – Poemas do Genocídio), será lançada em breve. Najwa foi indicada como a primeira escritora palestina a receber a Bolsa Jean Jacques Rousseau, que reconhece escritores de áreas de conflito. Participou de diversos eventos literários na Europa, incluindo o 44º Festival de Poetas Innen de Erlanger, na Alemanha, em 2024, e o Evento de Poesia Inédita, na Croácia, em 2025. Recebeu inúmeros prêmios literários nacionais e internacionais.



Em imagens simples e precisas, Najwa Sadi Juma transforma o desejo realizado em uma experiência de perda. A estrela, antes distante e fascinante, ao ser alcançada perde sua luz e escapa entre os dedos. E o verso final amplia magistralmente o paradoxo: quanto mais se alcança, maior pode se tornar o vazio deixado pelaquilo que se perde.